Eai galera, como vão? Esse ano iniciei um desafio literário chamado 12 livros indicados por 12 amigos durante 12 meses, mas eu resumi para 12 amigos, 12 indicações porque é mais fácil. Como o próprio nome diz, todo mês um amigo escolhido vai me indicar um livro que ele quiser, desde que não ultrapasse 500 páginas e não seja nacional. A escolhida de janeiro foi Laura, que quase me fez desistir da ideia por conta do livro que indicou, tanto que fui terminar no começo desse mês porque fiquei procrastinando. Sério Laura, você tem sorte que a gente não mora mais na mesma cidade, ridícula. Mas enfim...
O que esperar desse post?
- Minhas primeiras impressões sobre esse clássico que quase me fez desistir da leitura;
- Um protagonista que fala mais que a Anne de Green Gables e tem o emocional de um vidro;
- Uma mocinha que parecia sensata... até não ser mais;
- Um inquilino sumido que resolveu estragar tudo no final;
- E, claro, minha indignação com essa história que só junta gente maluca.
As citações desse tamanho não são minha culpa
Ficha Técnica
- Autor: Fiódor Dostoiévski
- Ano de publicação: 1848
- Gênero: Romance drama psicológico
- Número de páginas: 85
- Sinopse: São Petersburgo, século XIX. Um homem solitário vaga pela cidade noite adentro, deixando que o sentimento de cada rua, esquina ou calçada o penetre. Durante a caminhada, avista uma mulher aos prantos encostada no parapeito de um canal. Ao acudi-la, tem início um idílio fadado a se dissipar como a tênue claridade das noites de verão na Rússia. Quanto mais o anônimo narrador se aproxima da jovem Nástienka, mais parece se distanciar de sua melancólica vida anterior. Em quatro encontros, no entanto, a crescente intimidade dos dois personagens chega a um inesperado desfecho, quando a última noite por fim termina.
- Curiosidade: O título faz referência às noites brancas do verão russo, quando o sol quase não se põe.
Resenha
Resumo da ópera: Esse provavelmente é o livro mais louco que eu já li em toda a minha vida. Definitivamente os clássicos não são pra mim. A leitura em si já não ajuda muito. Dois capítulos enormes (30 páginas cada) simplesmente testaram a minha paciência, sendo esse um dos motivos que me fez enrolar tanto, já que o protagonista-sem-nome não para de falar. Deve ser um ancestral da Anne de Green Gables, que homem pra falar viu! Mas beleza, fiz uma leitura dinâmica aqui e ali e finalmente passei pro terceiro capítulo. A história começou a ficar interessante e fiz até umas teorias sobre o último capítulo chamado “Manhã”.

Mas ainda tem o protagonista, que além de não calar a boca, ainda é um legítimo pick me boy carente do século XIX. O cara nunca teve um contato social decente na vida e, na primeira oportunidade que encontra uma mulher respirando perto dele, já tá pronto pra casar. Sim gente, não tô brincando. O emocional desse homem é tão frágil que bastou a Nástienka (a mulher) dar um mínimo de atenção para ele se apaixonar perdidamente.
"Hei de sonhar com a senhora a noite toda, a semana toda, o ano todo. Virei para cá amanhã sem falta, precisamente nesta hora e serei feliz ao recordar o que se passou no dia anterior. [...] Dois minutos e a senhora já me fez feliz pelo resto da minha vida."
Falando nessa mulher (nome esse que não sei pronunciar), ela parecia ser a mais sensata entre todos os personagens. Ela é uma diva, sinceramente. Gostei mais da história dela do que do protagonista, mesmo que se resuma a ter se apaixonado por um cara que foi morar na casa alugada da vó dela (que prende a Nástienka na sua saia), mas foi embora e prometeu voltar um ano depois. Acontece que ele voltou e não mandou nenhuma carta ou respondeu as dela. Enfim, enfim.
"Escute: o senhor está contando de maneira belíssima, mas seria possível contar de um jeito não tão belo? É que o senhor fala como se lesse um livro"
Sobre a história do protagonista? Bom, eu pulei boa parte KKKKKKKKKKKKK O booktok que me perdoe, mas sete páginas só dele falando que nem Pedro Vaz de Caminha não rolou. O que posso fazer é reforçar o que foi dito no começo: ele tem 26 anos na cara e nunca arrumou ninguém e nem sabe falar direito com mulheres. Pode até parecer, pela capa do livro, que ele é decente, mas nada tira da minha cabeça que ele seja o próprio Xavier Ramier, de Miraculous
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Seriam ele uma reencarnação do nosso protagonista-sem-nome? |
Na minha cabeça ele é exatamente assim gente. E não só de aparência, mas em questão de personalidade também. As únicas diferenças é que o Xavier tem carisma e trata pombos como pessoas, e o nosso protagonista aqui trata prédios como pessoas. Ai você vê porque ele tá sozinho. Que mulher, em sã consciência vai querer ficar com um mano desses? Ele já não ganha na aparência, nem na lábia, então sobra o que? Nada KKKKKKKKKK
"Mas nunca ir de me esquecer de uma história de um prediozinho rosa-claro, dos mais bonitinhos. Era um prediozinho de pedra tão encantador, olhava para mim com o ar tão afável [...] que meu coração se alegrava quando acontecia de eu passar por ele. De repente [...] quando olhei para meu amigo, ouvi um grito lamentoso: "Vão me pintar de amarelo!". Miseráveis! Bárbaros! Não pouparam nada: nem as colunas, nem as cornijas, e meu amigo ficou amarelo como um canário."
O que mais revolta não é nem o jeito desesperado dele - porque uma hora você se acostuma (ou ignora) - mas sim o final, gente. QUE FINAL FOI ESSE? A Nástienka, depois de passar o livro todo sofrendo pelo inquilino sumido, ela, do nada, diz que vai superar e começa a gostar do protagonista. Super estranho. Mas ok, eu relevei porque eles até que formavam um casal minimamente aceitável. Aí, quando finalmente parece que vai dar certo, quem reaparece? O infeliz do inquilino! O mesmo que abandonou a garota por dias. E ela, sem pensar duas vezes, CORRE PRA ELE COMO SE NADA TIVESSE ACONTECIDO!!!!! Mona, cadê o seu amor próprio? Sua autoestima? O cúmulo da cara de pau é o beijo de despedida e a carta pedindo perdão. Perdão pelo quê? Por partir o coração do cara e jogar ele num buraco de sofrimento por 15 ANOS? Pois é gente, QUINZE ANOS!!!
E o pior: o protagonista simplesmente aceita tudo isso e segue vivendo (ou melhor, sobrevivendo) na tristeza eterna. Não teve um mísero plot twist de superação. Nem uma vingancinha básica. Nada! O cara continua sozinho, deprimente e sem perspectiva. Enquanto isso, a mulher que partiu o coração dele tá casada e seguindo a vida COMO SE O CARA NÃO EXISTISSE!!!!
Considerações Finais
Louco né? Sinceramente.... No fim das contas, todo mundo nesse livro tem um parafuso a menos, desde o protagonista até o próprio autor. Parece que Dostoiévski fez questão de juntar só gente emocionalmente instável e jogar numa história onde nada termina bem. O protagonista vive num mundo de ilusão, a Nástienka muda de ideia mais rápido do que troca de roupa, e o inquilino some e reaparece achando que é o centro do universo... E quem leu e gostou? Olha, talvez seja um sinal pra marcar uma terapia. Porque gostar desse show de horrores e ainda achar bonito é meio preocupante. Se você terminou esse livro suspirando e pensando “nossa, que história linda e emocionante”, eu só posso desejar forças. Procure ajuda. Sério. Fica a dica.
Dito tudo isso, a nota é 2
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| Meus humildes sentimentos durante a leitura |
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